O mundo inteiro vive o grande pesadelo
das drogas. Por toda parte, ouvimos notícias sobre o aumento
de seu consumo ou do crescimento do tráfico e do poderio dos
cartéis. Se, há décadas atrás, a utilização
de maconha, cocaína e LSD, dentre outros, limitava-se a adultos
e, raramente, a adolescentes, hoje é realidade também
entre as crianças. A verdade é que, tanto nas grandes
metrópoles quanto em regiões mais afastadas do País,
o vício e o abuso de drogas batem mais cedo à porta
da sociedade.
Enquanto isso, governos investem quantias fenomenais para reduzir
o consumo e eliminar o fornecimento de entorpecentes. Os Estados Unidos,
preocupados com estatísticas alarmantes em relação
ao aumento e sofisticação das técnicas de tráfico,
são um dos países mais engajados nesse trabalho. Gastam
milhões de dólares tanto na repressão interna
quanto em auxílios a países subdesenvolvidos que não
dispõem de recursos suficientes para banir a produção
e comercialização de entorpecentes.
É claro que todo este empenho é de vital importância
para o controle da situação. Mas, poucos são
os resultados obtidos se comparados com o investimento aplicado. Apesar
de vigorosas tentativas realizadas pela polícia e justiça
das mais diversas nações, o mal continua a alastrar-se.
Acredito que esse crescimento ocorre porque boa parte do esforço
não é dirigido ao ponto chave do problema.
Ora, não poderemos reprimir a comercialização
das drogas se o número de dependentes continuar crescendo.
Enquanto parte da sociedade estiver voltada ao consumo de entorpecentes,
os cartéis encontrarão uma forma de levar a droga até
eles - custe o que custar. O combate não deveria ser dirigido
unicamente à fabricação da droga mas, principalmente,
ao desejo e à demanda de consumo.
Afinal, o que leva o indivíduo a utilizar drogas? O que leva
o homem à ingestão de entorpecentes, chegando mesmo
à dependência total? Com raras exceções,
a resposta está diretamente ligada a instabilidades emocionais:
medos, inseguranças, carências, relacionamentos doentios,
dificuldades em família e preocupações profissionais.
De uma forma ou de outra, a droga é utilizada para camuflar
ou tentar aliviar a dor causada pela aparente incapacidade em compreender
os próprios problemas. É uma fuga, uma válvula
de escape para o indivíduo que ainda não consegue equilibrar
e dar sentido às diversas facetas de sua própria existência.
Este é o foco principal, a raiz do problema. Só poderemos
banir a droga se o consumidor, o próprio indivíduo se
desinteressar por ela. Não quero dizer que será um trabalho
fácil de se realizar e que trará resultados da noite
para o dia. Mas, de certa forma, é o caminho mais inteligente:
sem violência, trabalhando as dificuldades, transformando medo
em coragem de crescer, investindo em maturidade e evitando a pior
saída.